Em um lugar onde as coisas funcionam de uma maneira lógica, pessoas com fortes convicções de esquerda tentariam me trazer para a esquerda, e pessoas com fortes convicções de direita tentariam me trazer para a direita. Ativistas de alguma causa se esforçariam por modificar a cultura da sociedade a seu favor, e conservadores se esforçariam pela manutenção do que já está estabelecido. O mesmo para religiões e outras ideologias.
Mas tá sendo assim: só não sou de esquerda porque conheço os esquerdistas, não sou de direita porque conheço os direitistas; os ativistas me dão vontade de chutar suas causas pra longe, mas os conservadores são tão merda, mas tão merda, que o esforço contrário ainda vale a pena. Cada pessoa me faz querer o máximo possível de distância de suas ideologias e religiões.
Por um lado é bom porque, se fossem muito sutis, eu talvez fosse levado por essas ideologias sem perceber, sendo cozinhado em água morna. Por outro lado é terrível, porque,
quem quer se informar, quase sempre encontra péssimos exemplos daquilo que deveriam ser ideias interessantes, princípios bem fundamentados e causas nobres (talvez urgentes).
Uma democracia saudável exige o embate de ideias opostas, por mais controversas que sejam, pra que não fiquemos reféns de uma ideologia, um estilo único de vida e nem percamos a capacidade de observar o mundo por outros ângulos.
O problema do que temos hoje é que o pluralismo de ideias, via de regra, não tem sido usado para darmos um passo atrás e enxergar a sociedade e nossa própria mentalidade com um olhar diferente: tem servido para segregar. Não estou falando dos políticos, que sempre jogaram esse joguinho de aparências pro eleitorado que se comporta como torcida de futebol: estou falando de nós, cidadãos. Cada grupinho se fecha com outros de sua ideologia e, quando vão falar da outra, é com ataques infantis ou até efetivamente agressivos e violentos. Um direitista acha que a direita responde tudo, um esquerdista idem. Ambos não percebem que sua ideologia não é completa e que os outros podem sim ter visões melhores que as suas em determinados aspectos, e boas razões pra pensar como pensam.
Teríamos muito a ganhar se tentássemos dialogar mais que atacar, ouvir mais que falar, pesquisar mais que opinar. Eu honestamente me esforço no que posso pra que sejamos essa sociedade um dia. Mas esse esforço se torna muito difícil quando constantemente sou deparado com a postura extremista e agressiva dos mais diversos grupos ideológicos. Como iniciar um diálogo com alguém que te dá um soco toda vez que te encontra? É dar murro em ponta de faca.
Difícil essa luta de quem escolhe a dúvida em uma sociedade onde as certezas são um constante e irritante obstáculo.
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| Belíssimo castelo; cercado por muros impenetráveis. |

Estamos na mesma, amigo. Na mesma.
ResponderExcluirAcho que aquele vídeo do Pirula falando da analogia da mola ilustra bem tudo isso, mas não sei, não estou vendo sinais da energia cinética dessa mola chegar no valor mínimo...
talvez um pouco mais de insistência nossa possa ajudar. Nós não vamos convencer desconhecidos no facebook, mas temos chance de amansar amigos empolgados demais. Eu mesmo saí de alguns quase extremismos ao conversar com amigos com uma cabeça um pouco mais amena. Nem tudo está perdido ;)
(tem um probleminha de formatação no meio do texto, uma linha que pulou sem querer, dá uma olhada aí)
Pois é, eu também estava esperando que a mola chegasse ao equilíbrio, mas parece que tá sendo cada vez mais forçada, pra todos os lados.
ExcluirEu tenho tentado conversar com os mais empolgados. É dificílimo encontrar um meio termo que não empolgue nenhum dos dois lados mais ainda.
Valeu pelo toque, corrigi aqui!
Abração Daniel, é ótimo saber que meu blog tá bem frequentado!