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sábado, 7 de novembro de 2015

Quando Janelas se Tornam Muros: o Pluralismo que Segrega ao Invés de Acrescentar


Em um lugar onde as coisas funcionam de uma maneira lógica, pessoas com fortes convicções de esquerda tentariam me trazer para a esquerda, e pessoas com fortes convicções de direita tentariam me trazer para a direita. Ativistas de alguma causa se esforçariam por modificar a cultura da sociedade a seu favor, e conservadores se esforçariam pela manutenção do que já está estabelecido. O mesmo para religiões e outras ideologias.

Mas tá sendo assim: só não sou de esquerda porque conheço os esquerdistas, não sou de direita porque conheço os direitistas; os ativistas me dão vontade de chutar suas causas pra longe, mas os conservadores são tão merda, mas tão merda, que o esforço contrário ainda vale a pena. Cada pessoa me faz querer o máximo possível de distância de suas ideologias e religiões.

Por um lado é bom porque, se fossem muito sutis, eu talvez fosse levado por essas ideologias sem perceber, sendo cozinhado em água morna. Por outro lado é terrível, porque,

terça-feira, 7 de abril de 2015

"Almoçando Com Um Padre" ou "Quando Ideias Merecem Respeito"


Compartilho aqui com vocês de minha experiência de Páscoa.

Fui à casa de meus pais no feriado prolongado. Em nosso almoço esteve presente um padre, amigo da família, convidado por meus pais.

Antes da refeição, o padre conduziu uma oração. Sabendo a família e o padre que ao menos duas pessoas ali presentes abertamente não compartilham da mesma crença – uma delas, eu –, não houve nenhuma menção ao fato. Nenhuma tentativa de confronto, nenhuma palavra de ordem, nenhuma condenação aos possuidores de ideias divergentes.

Apenas uma bonita oração sobre o amor, a importância de, em outros momentos de nossas vidas, nos lembrarmos de solidarizar com aqueles que não possuem alimento e o desejo de um mundo melhor. Intenções nas quais eu posso discordar em alguns pontos do modus operandi, mas que compartilho do desejo e dos objetivos. Nas palavras usadas para transmitir essas intenções, falou-se de Jesus e outros elementos da crença católica, mas qualquer um que escute com um pouco mais que apenas os ouvidos saberia entender o significado das preces.

Ao fim da breve oração, os que acreditam rezaram juntos um Pai Nosso, os que não

sábado, 4 de maio de 2013

Existe um Deus?


Esclarecimentos Prévios

Neste texto explico o desenvolvimento de minha visão a respeito da existência ou não de um ou mais deuses e de uma realidade sobrenatural, utilizando minha passagem do cristianismo ao ateísmo como fio condutor. Não tenho aqui como intenção dizer qual é a melhor ou mais correta crença. Minha intenção é somente explicitar minha visão e expor alguns dos argumentos que me levam a pensar como penso, sem nomear minhas ideias como superiores ou as divergentes delas como inferiores.

Durante o texto, ao usar o termo "sobrenatural" ou "extranatural", refiro-me a supostas realidades não-sujeitas às leis da física, em constante e direta interação com nossa realidade natural, e não a realidades fisicamente distantes da nossa.

Introdução

Para aqueles que algum dia me perguntaram o motivo de eu ter me tornado ateu, acredito ser este texto bastante esclarecedor. Hoje pretendo falar um pouco sobre as mudanças que experimentei nos últimos anos em relação à crença religiosa. Uma pequena reflexão, inspirada em um artigo do filósofo inglês Bertrand Russel.

Há alguns anos, eu participava ativamente da Igreja Católica. Não significa apenas que eu ia à missa toda semana; significa que tive uma intensa vida de oração, estudava a bíblia, pregava em encontros, tocava violão em celebrações e retiros, fui ministro da comunhão eucarística, cheguei a fazer encontros vocacionais e quase optei pela vida conventual. Tive a "experiência de Deus" da

sábado, 30 de março de 2013

O Papa e o Pastor


Há algum tempo o mundo presenciou a histórica renúncia de um papa. Um evento que, independente de religião ou crença, foi destaque em jornais por todo o mundo e assunto cotidiano, devido à importância não apenas religiosa do fato, mas também política.

Pouco tempo depois, temos a eleição de um papa argentino, e a escolha do nome Francisco - nome no mínimo sugestivo, pra quem conhece um pouco da fascinante história do "poverello d'Assissi".

E até então eu não havia tecido por aqui, nem em nenhuma rede social ou site, comentário algum sobre o fato. Mas hoje tive vontade. Este texto seria inicialmente uma postagem no facebook, mas, como sempre acontece comigo, fui escrevendo e escrevendo e escrevendo e em algum ponto o tamanho do texto me deu a certeza de que ninguém o leria. Decidi então escrever e escrever e escrever um pouco mais e postá-lo aqui.

Pois bem. Em uma data próxima aos eventos ocorridos no Vaticano, uma série de eventos aqui no Brasil também ganhou destaque. E foi a ontologia entre as posturas de um líder de lá e um daqui que

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Relações vs. Mudanças


As relações cotidianas sempre me despertaram interesse e curiosidade – além de uma grande dificuldade. 

Esse interesse cresceu ainda mais depois de começar o processo de "saída" (abandono) da religião católica. Todo pensante pensa a partir de si, e até por isso é inevitável me despertarem maior interesse assuntos que me toquem de forma direta.

Durante o período em que vivi a religião católica, vivi com dedicação e interesse genuínos. Busquei compreender a visão de mundo pregada pela igreja – visto esta ser, enquanto fui religioso, a principal função da religião em minha vida. Participei de grupos com os quais me identificava e pelos quais me interessava, e nestes grupos fiz inúmeras amizades.