Lendo hoje as notícias sobre o "jovem gênio" que vendeu um aplicativo ao Yahoo por milhões de dólares, não tive como
não associar ao artigo da Eliane Brum sobre Aaron Swartz.
"Mas há algo que pode ter soado ainda mais imperdoável: Aaron não queria ganhar dinheiro com o seu talento. Ele não era aquilo que as crianças são ensinadas a admirar: um jovem gênio milionário da internet, como Mark Zuckerberg, o criador do Facebook. Aaron Swartz era um jovem gênio que não queria ser milionário. E, convenhamos, nada pode ser mais subversivo do que isso."(Leia o artigo completo, vale muito a leitura)
Genial não é o cara que distribui ao mundo informações escondidas dos cidadãos pelos governantes, não é quem luta pela emancipação e
conscientização do povo, não é quem repensa o mundo ou busca construir
uma sociedade melhor, ou luta pra que diferentes convivam com igual
dignidade; genial é saber fazer dinheiro. Prodígio é quem gera lucro (e
não importa como).
Essa mentalidade é fruto de livre opção ou de manipulação midiática, política e econômica? Ou seria um pouco de cada uma? Sinceramente não sei.
Sei é de minha opção pessoal: não me conformar a essa mentalidade à qual as pessoas são treinadas desde cedo. Não me sinto à vontade com a ideia de que devemos viver e construir nossas visões de mundo tendo como um dos principais fundamentos (e objetivos) o acúmulo de dinheiro.
E em meio a tantos paradigmas desconfortáveis, nomeações políticas absurdas (Marco Feliciano, Blairo Maggi, José Genoino), jornais superficiais e mentalidades rasas, creio só me restar minha pedra. E a cada dia isso me parece mais evidente, tanto em minha vida pessoal quanto no que consigo acompanhar diariamente sobre a humanidade.
Me perdoem pelo texto curto e sem aprofundamento, mas quis compartilhar esse pequeno desabafo. Felizmente me acompanha a ideia de ser a existência no mundo um absurdo - ideia que é a motivação central deste blog. Se eu acreditasse que existe um sentido objetivo para a vida, creio que já teria desistido dela.