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terça-feira, 24 de novembro de 2015

O que o Brasileiro Deveria Aprender com a Tragédia de Mariana


Fiquei quieto sobre o tema esse tempo todo porque, assim como a maioria das pessoas (incluindo a maioria das que se manifestaram a respeito), eu não tenho conhecimento suficiente sobre o assunto. Mas quero fazer só um (não tão) breve comentário.
O caso de Mariana é uma catástrofe, uma tragédia, uma mancha na história humana. Todos concordamos com isso e não vou ficar aqui repetindo palavras de catarse que na prática não servem pra nada. Meu ponto é outro.

Acima de tudo, esse caso é criminosamente negligente e diz muito a respeito da forma brasileira de lidar com problemas: ignorar e ocultar até que seja impossível esconder, e se lamentar depois que a merda foi jogada no ventilador. No Brasil, governa-se a curto prazo, porque é só o que é olhado pelos eleitores. Assim, situações como essa não são UM mero acidente para se lamentar: tem mais pra acontecer. Sim, tem mais. E não me refiro às consequências desse rompimento das barragens, cujo impacto ambiental gigantesco vai ser estudado agora por um grupo independente de pesquisadores de diversas áreas. Refiro-me a problemas futuros.

As barragens de Mariana são apenas um caso, que eu desconhecia e creio que a maioria dos brasileiros também. Por mais bem informado que você seja, não dá pra você ir em todos os cantos do

domingo, 19 de janeiro de 2014

O Imediatismo Nosso de Cada Dia (e o "Rolezinho")


Odeio o imediatismo da nossa época. Em qualquer aspecto. Sou completamente deslocado socialmente neste sentido. Não me dou bem com a regra social de atender telefone ou celular sempre que eles tocam, de responder mensagens no exato momento do recebimento, de dar uma resposta pontual rápida a toda pergunta feita a mim, de ter que me posicionar a respeito de toda notícia no exato instante de seu acontecimento... entre outras mil coisas.

Nossa era da informação traz em si a marcante característica da rapidez dos meios de comunicação. Não precisamos esperar o jornal impresso do dia seguinte para saber o que está acontecendo ao redor do país. Não precisamos esperar dias para saber de acontecimentos internacionais. Fatos são facilmente noticiados minutos após sua ocorrência.

Aliás, atualmente, fatos são noticiados mesmo antes de ocorrerem. Quem nunca leu um "partiu academia" numa rede social, ou uma foto da refeição ainda a ser feita? Podem ser fatos irrelevantes para a maioria das pessoas - como são, para mim, a maioria

sábado, 30 de março de 2013

O Papa e o Pastor


Há algum tempo o mundo presenciou a histórica renúncia de um papa. Um evento que, independente de religião ou crença, foi destaque em jornais por todo o mundo e assunto cotidiano, devido à importância não apenas religiosa do fato, mas também política.

Pouco tempo depois, temos a eleição de um papa argentino, e a escolha do nome Francisco - nome no mínimo sugestivo, pra quem conhece um pouco da fascinante história do "poverello d'Assissi".

E até então eu não havia tecido por aqui, nem em nenhuma rede social ou site, comentário algum sobre o fato. Mas hoje tive vontade. Este texto seria inicialmente uma postagem no facebook, mas, como sempre acontece comigo, fui escrevendo e escrevendo e escrevendo e em algum ponto o tamanho do texto me deu a certeza de que ninguém o leria. Decidi então escrever e escrever e escrever um pouco mais e postá-lo aqui.

Pois bem. Em uma data próxima aos eventos ocorridos no Vaticano, uma série de eventos aqui no Brasil também ganhou destaque. E foi a ontologia entre as posturas de um líder de lá e um daqui que

quarta-feira, 27 de março de 2013

"Jovem gênio"


Lendo hoje as notícias sobre o "jovem gênio" que vendeu um aplicativo ao Yahoo por milhões de dólares, não tive como não associar ao artigo da Eliane Brum sobre Aaron Swartz.

"Mas há algo que pode ter soado ainda mais imperdoável: Aaron não queria ganhar dinheiro com o seu talento. Ele não era aquilo que as crianças são ensinadas a admirar: um jovem gênio milionário da internet, como Mark Zuckerberg, o criador do Facebook. Aaron Swartz era um jovem gênio que não queria ser milionário. E, convenhamos, nada pode ser mais subversivo do que isso."
(Leia o artigo completo, vale muito a leitura)

Genial não é o cara que distribui ao mundo informações escondidas dos cidadãos pelos governantes, não é quem luta pela emancipação e conscientização do povo, não é quem repensa o mundo ou busca construir uma sociedade melhor, ou luta pra que diferentes convivam com igual dignidade; genial é saber fazer dinheiro. Prodígio é quem gera lucro (e não importa como).

Essa mentalidade é fruto de livre opção ou de manipulação midiática, política e econômica? Ou seria um pouco de cada uma? Sinceramente não sei.

Sei é de minha opção pessoal: não me conformar a essa mentalidade à qual as pessoas são treinadas desde cedo. Não me sinto à vontade com a ideia de que devemos viver e construir nossas visões de mundo tendo como um dos principais fundamentos (e objetivos) o acúmulo de dinheiro.

E em meio a tantos paradigmas desconfortáveis, nomeações políticas absurdas (Marco Feliciano, Blairo Maggi, José Genoino), jornais superficiais e mentalidades rasas, creio só me restar minha pedra. E a cada dia isso me parece mais evidente, tanto em minha vida pessoal quanto no que consigo acompanhar diariamente sobre a humanidade.

Me perdoem pelo texto curto e sem aprofundamento, mas quis compartilhar esse pequeno desabafo. Felizmente me acompanha a ideia de ser a existência no mundo um absurdo - ideia que é a motivação central deste blog. Se eu acreditasse que existe um sentido objetivo para a vida, creio que já teria desistido dela.