Esclarecimentos Prévios
Neste texto explico o desenvolvimento de minha
visão a respeito da existência ou não de um ou mais deuses e de uma realidade sobrenatural, utilizando minha passagem do cristianismo ao ateísmo como fio condutor. Não tenho
aqui como intenção dizer qual é a melhor ou mais correta crença. Minha intenção é somente explicitar minha visão
e expor alguns dos argumentos que me levam a pensar como penso, sem nomear minhas ideias como superiores ou as divergentes delas como inferiores.
Durante o texto, ao usar o termo "sobrenatural" ou "extranatural", refiro-me a supostas realidades não-sujeitas às leis da física, em constante e direta interação com nossa realidade natural, e não a realidades fisicamente distantes da nossa.
Durante o texto, ao usar o termo "sobrenatural" ou "extranatural", refiro-me a supostas realidades não-sujeitas às leis da física, em constante e direta interação com nossa realidade natural, e não a realidades fisicamente distantes da nossa.
Introdução
Para aqueles que algum dia me
perguntaram o motivo de eu ter me tornado ateu, acredito ser este
texto bastante esclarecedor. Hoje pretendo falar um pouco sobre as mudanças que experimentei nos últimos anos em relação à crença religiosa. Uma pequena reflexão, inspirada
em um artigo do filósofo inglês Bertrand Russel.
Há alguns anos, eu
participava ativamente da Igreja Católica. Não significa apenas que eu ia à missa toda semana; significa que
tive uma intensa vida de oração, estudava a bíblia, pregava em encontros,
tocava violão em celebrações e retiros, fui ministro da comunhão eucarística, cheguei a fazer
encontros vocacionais e quase optei pela vida conventual. Tive a "experiência de Deus" da
qual muitos cristãos falam, conhecida também por "experiência mística" ou ainda "experiência religiosa".
qual muitos cristãos falam, conhecida também por "experiência mística" ou ainda "experiência religiosa".
Todas estas vivências
ajudaram a me construir e foram positivas em minha vida em muitos sentidos.
Claro, foram também negativas em outros, mas todos os aspectos da vida
funcionam desta forma. Porém, depois de cerca de sete anos de uma vida profundamente
permeada pelo cristianismo, muitas de minhas perguntas deixaram de ser
respondidas pela fé.
Experimentação do mundo e construção de ideias
Quando falo em
"perguntas" não quero dizer que levava a vida religiosa porque ela
resolvia minhas questões. Quero dizer que viver é basicamente perguntar. Já
nascemos tentando discernir "o que sou eu" e "o que não sou
eu", é daí que nasce o conceito de alteridade. Para entender o que É minha
identidade, preciso negar aquilo que NÃO É minha identidade. É assim que em determinada
idade uma criança aprende, por exemplo, que sua mãe não é uma extensão de si.
Viver é experimentar uma realidade desconhecida a nós, ainda que estejamos familiarizados com as
informações fornecidas por nossos sentidos. Assim, "perguntar" não é
meramente formular uma questão e esperar uma resposta, mas observar o mundo e
formar a própria personalidade, construir os próprios caminhos. Através de
nossos sentidos, interagimos com o mundo e formamos nossos conceitos. É um
processo natural e inevitável para qualquer pessoa.
Através deste processo,
aos quinze anos me senti compelido ao cristianismo. E até meus vinte e dois
anos, ele foi minha janela de compreensão para o mundo. Nele encontrei sentido
para a vida, acolhimento num período onde passava por uma fase difícil. Nele
me senti à vontade e feliz por muito tempo, e sequer concebia um dia
abandoná-lo, pois julgava ter encontrado meu lugar, meu chamado, minha identidade.
A credibilidade da Fé enquanto postura de vida
Foi então que comecei a
enxergar outros aspectos do mundo, do cristianismo e da fé. Sempre fui muito curioso, cheio de perguntas, e minhas perguntas começaram a me levar para fora
do templo. Lembrando que foi um processo longo de vivência e questionamentos a
mim mesmo (vinte e seis anos, até aqui), posso aqui apenas citar alguns
pequenos exemplos, que de forma alguma são uma explicação completa de minha
visão de mundo.
Enxergar a existência de
outras religiões, nas quais os fiéis tinham tanta certeza quanto eu de ter
encontrado "A Verdade", foi um ponto forte neste processo. Todas as
religiões (ou crenças, ou adoradores de algum Deus) ensinam, em algum momento,
que você deve ter fé no que lhe é dito. Sempre há um ponto onde não se pode
pedir evidências, onde se depende de seus sentimentos, de escolhas cegas ou conexões arbitrárias de fatos sabidamente desconexos, que exigem sua boa
vontade em depositar sua fé. Ora, se toda religião me pede a fé e todas elas
ensinam coisas diferentes - desde seres superiores até ritos e normas de
comportamento -, talvez a fé não seja o melhor critério pra compreendermos qual
destas equivale a uma visão sensata da realidade na qual vivemos.
Fé não é compreender a realidade, é entregar arbitrariamente sua visão de mundo nas mãos de uma ideia em detrimento de muitas outras, que neste sentido são igualmente dignas de fé. Na verdade, qualquer ideia passa a ser "digna de fé" quando se opta por utilizar fé como postura de vida, visto esta ser excludente de evidências. Ao optar pela fé, deixo de buscar me localizar na realidade e passo a escolher arbitrariamente o que quero ou não que seja real. Fé, apesar da maquiagem de humildade, é dizer-se mais sábio do que realmente se é.
Fé não é compreender a realidade, é entregar arbitrariamente sua visão de mundo nas mãos de uma ideia em detrimento de muitas outras, que neste sentido são igualmente dignas de fé. Na verdade, qualquer ideia passa a ser "digna de fé" quando se opta por utilizar fé como postura de vida, visto esta ser excludente de evidências. Ao optar pela fé, deixo de buscar me localizar na realidade e passo a escolher arbitrariamente o que quero ou não que seja real. Fé, apesar da maquiagem de humildade, é dizer-se mais sábio do que realmente se é.
Não foi por fé que aprendi
a andar. Foi por experimentar e aceitar a realidade. Da mesma forma, não me
basta ter fé para voar sem equipamentos: é preciso aceitar a realidade de que
não sou capaz de voar da mesma forma que sou capaz de andar. Não é mera questão
de escolha, é questão de vivência. Acreditar que posso voar não apenas não
condiz com minha realidade como também traz implicações práticas em minhas
ações. Eu poderia pular de um prédio pra chegar mais rápido em algum lugar, e
minha vida seria involuntariamente terminada por conta de uma crença infundada.
Eu poderia perder viagens de férias e de negócios por achar que poderia voar à
localidade posteriormente.
Crenças não são gratuitas e inofensivas. Pelo contrário, são determinantes em todas as situações. Nossa vida inteira é baseada em crenças, umas mais fortes outras menos fortes.* Por exemplo, a crença de que o sol "nascerá" amanhã traz implicações em nossa vida, mas possui bons fundamentos, e por isso nos adaptamos a ela. Já a crença de que o mundo terminará repentinamente amanhã pode trazer implicações catastróficas (como já vimos em muitos casos ao redor do mundo), mas é (atualmente) uma crença infundada - logo, quase automaticamente refutada diariamente por todos nós.
Crenças não são gratuitas e inofensivas. Pelo contrário, são determinantes em todas as situações. Nossa vida inteira é baseada em crenças, umas mais fortes outras menos fortes.* Por exemplo, a crença de que o sol "nascerá" amanhã traz implicações em nossa vida, mas possui bons fundamentos, e por isso nos adaptamos a ela. Já a crença de que o mundo terminará repentinamente amanhã pode trazer implicações catastróficas (como já vimos em muitos casos ao redor do mundo), mas é (atualmente) uma crença infundada - logo, quase automaticamente refutada diariamente por todos nós.
Então não haverá motivos
pra acreditar que eu seja capaz de voar a menos que eu efetivamente voe, ou que me sejam apresentadas excelentes evidências neste sentido.
Quando crescemos, fazemos
esta experiência com a realidade em todos os sentidos. O grande problema reside
no aprendizado de ideias abstratas. Absorvemos ideias na infância que só mais
tarde teremos a possibilidade de considerar. Desta forma, se me fosse ensinado
diariamente desde a infância que sou capaz de voar, provavelmente eu só duvidaria disso conforme
crescesse, ao observar que nenhuma pessoa ao meu redor voa. Ao perceber a
realidade e confrontar com o que me foi ensinado, me restariam como opções
refutar essa ideia ou acreditar cegamente que sou capaz de voar - mesmo sem
nunca levantar voo efetivamente em toda minha vida. No segundo caso,
possivelmente (ou provavelmente) eu até chegaria a ter alucinações onde eu
"realmente" voasse, e visse nisso a confirmação da ideia ensinada a
mim desde sempre. Mas isso de forma alguma mudaria o fato de que, na realidade em que nos encontramos e interagimos, não
sou capaz de levantar e manter voo sem o auxílio de algum equipamento.
Considere esta capacidade
de voar apenas como uma analogia. Conforme vivi, percebi as incoerências entre
o que a fé ensinava e o que a prática evidenciava. Depois de muito tempo nessa
vivência, ficou claro que a fé não era uma boa opção para quem busca conhecer a
realidade em que vive. Pela fé eu devia aceitar que homossexuais estariam
condenados por viverem seu amor; pela fé eu devia aceitar que o plano de Deus
tolerava crianças morrendo de inanição em várias partes do mundo; pela fé eu
devia aceitar que Deus permitia que diariamente mulheres e crianças fossem
estupradas, filhos matassem pais e outras tragédias humanas - enquanto o
onipotente, onisciente e onipresente Criador provia a casa de famílias de
classe média e alta, "curas espirituais e sentimentais" para grupos aleatórios reunidos em
fins de semana, "experiências místicas" para pessoas religiosas e
ainda cuidava de relacionamentos amorosos dos que pediam a ele.
Crença teológica e agnosticismo positivo
Depois de muitas
considerações sobre a incoerência entre um Ser amoroso e o Ser contraditório
que estes fatos apresentavam, abracei uma fé "teológica". Uma fé que
buscava tornar minha crença mais coerente com o que eu observava. Dessa forma
busquei conhecer mais sobre Teologia e Filosofia, e assimilei o ser
suprapessoal tratado por muitos teólogos, "alheio" aos desejos e tragédias
humanas. E assim consegui me manter católico ainda por ainda algum tempo - mas
um católico menos convencional, com mais flexibilidade em relação às noções de
moralidade. Foi a época em que passei a criticar a postura da Igreja de lutar
contra o casamento civil homossexual, métodos contraceptivos e outros
assuntos, por julgar que a crença católica não deveria ser imposta àqueles que
não partilhavam dela.
Porém, com o passar do
tempo, a coerência exigia que este ser também estivesse alheio aos sentimentos
de moralidade e imoralidade do ser humano por uma simples questão: se tantas
culturas e religiões tem noções tão distintas de moralidade, como dizer que há
apenas um deus por trás de todas elas, pulsando o sentimento religioso no ser
humano? Repare que agora usei a inicial minúscula na palavra "deus".
Fiz isso por uma razão simples: um erro muito comum cometido por monoteístas em
geral é reunir todos os deuses apresentados pelas diversas religiões como se
fossem um Ser apenas, ao qual as pessoas são impulsionadas por diversos
caminhos diferentes. É como quando dizem "não importa qual sua religião,
se ela te aproxima de Deus".
Espera, mas qual deus? O Deus cristão, amoroso e compassivo, que condena aqueles que não vivem conforme os ensinamentos do cristianismo? Ou o Deus islâmico (Alá), que possui critérios completamente diferentes para determinar como deve viver o ser humano, e igualmente condena os diferentes? Ou seria ainda o deus Jeová, das testemunhas de Jeová, que salvará ao final apenas os cento e quarenta e quatro mil escolhidos? Não faz sentido juntarmos todos estes num pacote e dizer que se referem a um mesmo ser. Se há tantas religiões e todas elas clamam o único Deus para si, cabem duas propostas: ou temos na verdade vários deuses – e isso já descarta ideias monoteístas, levanta questões sobre qual seria a "abrangência" do poder de cada um deles, a relação entre eles, as intenções de cada um, enfim, colapsaria as noções de todas as religiões monoteístas; ou temos apenas um ser, que desperta em todos o sentimento religioso, mas não partilha das noções de moralidade e fé vindas a partir disso.
Espera, mas qual deus? O Deus cristão, amoroso e compassivo, que condena aqueles que não vivem conforme os ensinamentos do cristianismo? Ou o Deus islâmico (Alá), que possui critérios completamente diferentes para determinar como deve viver o ser humano, e igualmente condena os diferentes? Ou seria ainda o deus Jeová, das testemunhas de Jeová, que salvará ao final apenas os cento e quarenta e quatro mil escolhidos? Não faz sentido juntarmos todos estes num pacote e dizer que se referem a um mesmo ser. Se há tantas religiões e todas elas clamam o único Deus para si, cabem duas propostas: ou temos na verdade vários deuses – e isso já descarta ideias monoteístas, levanta questões sobre qual seria a "abrangência" do poder de cada um deles, a relação entre eles, as intenções de cada um, enfim, colapsaria as noções de todas as religiões monoteístas; ou temos apenas um ser, que desperta em todos o sentimento religioso, mas não partilha das noções de moralidade e fé vindas a partir disso.
Essa explicação me pareceu
mais coerente. Um Criador inefável ao ser humano despertaria nele o sentimento
religioso, resultando assim nas mais diferentes variações de crenças. E essa
foi a noção que tentei abraçar por algum tempo. Mas, por minha busca de me
localizar na realidade de uma forma sincera e honesta, essa noção não me
permitia escolher arbitrariamente uma religião entre as outras. Assim, passei a
me enxergar como algo próximo de um "agnóstico positivo" - a ideia de
que há Algo criador de tudo, porém intangível a mim. "Algo" porque
qualquer suposição sobre este "algo" já seria uma poluição de ideias feita por mim à essência deste Criador, e mais
atrapalharia que ajudaria.
E fiquei confortável com
essa ideia por algum tempo. Ela me permitiu notar o excesso de paradigmas
desumanos e exagerados que abracei durante a vivência da religião e me ver livre
deles. Com esta noção deixei de me pensar consultor da vida alheia –
aquele que sabe exatamente as necessidades das pessoas e o que estas devem ou
não fazer. Por um lado, eu ainda tinha um significado diante da natureza, ainda
havia algum sentido em viver, e por outro a vivência havia se tornado leve,
mais livre. E desta forma eu não precisava aceitar que minhas
"experiências de Deus" envolviam mais sugestionamento e alucinações
que efetivamente um Ser Sobrenatural. Foi a lacuna encontrada por mim para não
abrir mão da crença em Deus.
Mas, nesta época, noções
como "Deus", "sobrenatural", "milagre" e outras se
tornaram vagas e de difícil reflexão e vivência pra mim. Não haveria o que se
discutir sobre o caráter do Criador, pois nossa linguagem, nossos sentidos e
nossas capacidades não seriam suficientes para abranger de forma alguma este
Ser Sobrenatural. E em situações onde este Ser sobrenatural possivelmente agisse no mundo natural (milagres), as ações passariam a estar
sujeitas às "leis" naturais - as "leis" da
Física. Logo, não haveria forma de investigar um Ser "sobrenatural"
por trás delas, pois nossa razão e tudo que nos cerca é natural. Sabemos, pela
investigação científica e filosófica, que nossos pensamentos, sentimentos ou
ações ocorrem no mundo natural. Atualmente, não precisamos mais supor um extranatural
para compreender estes fenômenos. Qualquer crença em algo além disso depende de
fé - e já expliquei porque a fé não seria uma maneira coerente de interagir com
a realidade em que vivo.
Por estas dificuldades,
optei por simplesmente abraçar a dúvida em relação à questão. Se me perguntavam
"como você vê Deus hoje" eu respondia simplesmente "não sei quem
é nem sei nada sobre ele, mas acredito que exista um". Também já não via o
ser humano como um ser especial diante da criação. Como já disse Xenófanes, se
bois e cavalos pudessem desenhar deuses, os desenhariam como bois e cavalos.**
Neste período, há alguns
meses já estava afastado da religião e da vivência religiosa (encaixando neste
termo tudo que se refere a qualquer forma de vida ativa de oração ou crença),
mas por mais esforço contrário que houvesse de minha parte, questões sobre a
existência ou não de Deus se moviam de forma inevitável dentro de mim. O que
seria esse Deus? Eu precisaria me relacionar com ele de alguma maneira? Afinal,
haveria mesmo um Deus?
O Bule Celestial de Russell e a inversão do ônus da prova
Então, neste período, me
deparei com uma passagem de um artigo do matemático e filósofo Bertrand Russell que me forneceu uma visão diferente. Este não respondeu às minhas perguntas,
mas me forneceu uma nova perspectiva sobre a questão "Deus". Não o li
como uma argumentação em favor do ateísmo, mas como uma nova perspectiva para a
consideração da questão. Uma tradução livre do trecho seria esta:
"Muitas pessoas ortodoxas
falam como se fosse obrigação dos céticos refutar os dogmas recebidos, ao invés
dos dogmáticos de os provarem. Isto, claro, é um erro. Se eu sugerisse que
entre a Terra e Marte há um bule de chá chinês orbitando ao redor do sol em uma
órbita elíptica, ninguém seria capaz de refutar minha afirmação se eu
cuidadosamente acrescentasse que o bule é muito pequeno para ser visto por
nosso telescópio mais poderoso. Mas se dissesse que, visto minha afirmação não
poder ser refutada, seria uma presunção intolerável da razão humana duvidar
dela, pensariam, corretamente, que eu estaria dizendo um absurdo. Se,
entretanto, a existência de tal bule de chá fosse afirmada em livros antigos,
ensinada como verdade sagrada todo domingo e destilada na mente de crianças na
escola, a hesitação em acreditar em sua existência se tornaria um sinal de
excentricidade e colocaria o cético sob a atenção de psiquiatras, numa época
esclarecida, ou da Inquisição, em épocas passadas. É costumeiro supor que, se
uma crença é muito difundida, deve haver algo de razoável nela. Eu não penso
que essa visão possa ser mantida por qualquer um que tenha estudado
história."
![]() |
| O Bule Celestial de Russell |
Recomendo a leitura do
artigo completo ("Is There a God?") - texto original em inglês, e uma versão em português.
Este artigo me ajudou a perceber que a ideia da existência de uma realidade sobrenatural e de um ser
criador me foi ensinada desde cedo - juntamente com o ensinamento da fé. A maioria das pessoas se esquece que todos nascemos descrentes, desprovidos de paradigmas em todos os sentidos, e as crenças nos são ensinadas gradativamente - a maioria esmagadora delas, através de evidências.
Quando falo de evidências, atente-se para o fato de que não estou dizendo "só acreditamos no que vemos" - ideia amplamente difundida quando se fala de ateus. A visão nem de longe é o único critério para crermos ou não em algo. Aliás, a "visão" sequer deve ser vista como um critério definitivo, pois nossos olhos e nosso cérebro nos pregam peças. Vemos coisas onde não há e não vemos onde há.
"Evidência" refere-se a fatores testáveis, experimentáveis. Nossos olhos não veem a energia elétrica, mas através de experimentação prática e elementos quantificáveis notamos sua existência e somos capazes de prever seus efeitos. Não vemos campos magnéticos, mas através de observações e medições conhecemos seu comportamento e também somos capazes de prever seus efeitos. Essa postura científica é uma das maiores características das crianças.
A criança aprende a se alimentar com base no toque. Aprende quem é o pai e a mãe através dos sentidos. Passa a conhecer o cheiro dos dois, o rosto, a forma de contato. Mais tarde, ao ter medo de monstros debaixo da cama, alguém deitará com ela no chão e mostrará que entre a cama e o chão não há ninguém - por meio da visão, audição, tato (pra garantir que não há monstros invisíveis) e não através de fé - aliás, a fé aqui seria um grande problema, pois a criança aprenderia que há seres indetectáveis vivendo em nosso mundo. A criança será ensinada que conversar com desconhecidos é perigoso através de argumentos práticos, e saberá quem é confiável ou não porque os pais a mostrarão o rosto, a voz da pessoa. Nenhum tutor responsável diria ao filho ou à filha: "uma pessoa vai tocar a campainha hoje à tarde pra te levar pra passear, pode confiar nela sem medo"; pelo contrário, mostrará quem é a pessoa através de evidências. E ainda assim, os próprios pais - sendo estes responsáveis - já terão motivos racionais e suficientes para acreditar que esta pessoa é confiável - e ainda que esta possivelmente não seja, a melhor maneira de arriscarmos é através de uma fundamentação concreta.
Já as crenças religiosas são ensinadas sem evidências, apenas por meio de fé. Ainda na presença de evidências contorcidas e arbitrárias, a exigência da fé sempre é inevitável. São poucos os pais que não destilam na mente dos filhos as próprias crenças religiosas, abrindo a estes a possibilidade de mais tarde conhecer as diferentes crenças existentes e optar por uma ou nenhuma. As religiões em geral possuem programas sistemáticos para desde a primeira infância assegurar mais um fiel.
Por isso, a maioria das pessoas, até nossa época, tende a ver a ideia da existência de um "Um Deus" e uma realidade sobrenatural como verdades óbvias, evidentes e indiscutíveis. E sendo este o ensinamento ortodoxo, pensar diferente disso parecerá, à maioria das pessoas, uma ideia absurda. Porém a realidade nos sugere o contrário.
Quando falo de evidências, atente-se para o fato de que não estou dizendo "só acreditamos no que vemos" - ideia amplamente difundida quando se fala de ateus. A visão nem de longe é o único critério para crermos ou não em algo. Aliás, a "visão" sequer deve ser vista como um critério definitivo, pois nossos olhos e nosso cérebro nos pregam peças. Vemos coisas onde não há e não vemos onde há.
"Evidência" refere-se a fatores testáveis, experimentáveis. Nossos olhos não veem a energia elétrica, mas através de experimentação prática e elementos quantificáveis notamos sua existência e somos capazes de prever seus efeitos. Não vemos campos magnéticos, mas através de observações e medições conhecemos seu comportamento e também somos capazes de prever seus efeitos. Essa postura científica é uma das maiores características das crianças.
A criança aprende a se alimentar com base no toque. Aprende quem é o pai e a mãe através dos sentidos. Passa a conhecer o cheiro dos dois, o rosto, a forma de contato. Mais tarde, ao ter medo de monstros debaixo da cama, alguém deitará com ela no chão e mostrará que entre a cama e o chão não há ninguém - por meio da visão, audição, tato (pra garantir que não há monstros invisíveis) e não através de fé - aliás, a fé aqui seria um grande problema, pois a criança aprenderia que há seres indetectáveis vivendo em nosso mundo. A criança será ensinada que conversar com desconhecidos é perigoso através de argumentos práticos, e saberá quem é confiável ou não porque os pais a mostrarão o rosto, a voz da pessoa. Nenhum tutor responsável diria ao filho ou à filha: "uma pessoa vai tocar a campainha hoje à tarde pra te levar pra passear, pode confiar nela sem medo"; pelo contrário, mostrará quem é a pessoa através de evidências. E ainda assim, os próprios pais - sendo estes responsáveis - já terão motivos racionais e suficientes para acreditar que esta pessoa é confiável - e ainda que esta possivelmente não seja, a melhor maneira de arriscarmos é através de uma fundamentação concreta.
Já as crenças religiosas são ensinadas sem evidências, apenas por meio de fé. Ainda na presença de evidências contorcidas e arbitrárias, a exigência da fé sempre é inevitável. São poucos os pais que não destilam na mente dos filhos as próprias crenças religiosas, abrindo a estes a possibilidade de mais tarde conhecer as diferentes crenças existentes e optar por uma ou nenhuma. As religiões em geral possuem programas sistemáticos para desde a primeira infância assegurar mais um fiel.
Por isso, a maioria das pessoas, até nossa época, tende a ver a ideia da existência de um "Um Deus" e uma realidade sobrenatural como verdades óbvias, evidentes e indiscutíveis. E sendo este o ensinamento ortodoxo, pensar diferente disso parecerá, à maioria das pessoas, uma ideia absurda. Porém a realidade nos sugere o contrário.
Àquele que busca oferecer
uma afirmação sobre algo cabe o ônus da prova. Se eu afirmo possuir uma
Ferrari, não cabe a quem ouve aceitar cegamente minha afirmação, e sim a mim
fornecer fatos que a evidenciem - embora normalmente as pessoas aceitem quase
cegamente qualquer afirmação conveniente aos próprios ideais e interesses.
Logo, a afirmação da
existência de um deus e de uma realidade sobrenatural necessariamente precisa
ser acompanhada de evidências honestas e suficientes, e não da exigência de "fé". E afirmações deste escalão exigem evidências ainda mais conexas e
coerentes, por fugirem completamente a tudo que nos é possível conhecer da
natureza.
Lacunas não são evidências
Para entendimento mais
simples, poderíamos pensar na afirmação da existência de duendes. Já vimos no
Brasil artistas defendendo essa ideia. Cabe "fé" diante
de uma afirmação deste tipo? Diante dos testemunhos sinceros e emocionados a
respeito das experiências que as pessoas tiveram com eles, devemos ceder
credibilidade? E a respeito de fadas? E os milhares de relatos sobre abduções
alienígenas, porque são mais merecedores de ceticismo que o testemunho de um
fiel religioso?
Se deixarmos de exigir
evidências de um, não é coerente exigir evidências do outro. O mesmo critério
cederia credibilidade à crença tanto no sobrenatural e em deuses quanto em
fadas e fantasmas. A única diferença entre todas estas afirmações é que a
crença em um sobrenatural (relevando grotescamente aqui as características atribuídas a este
por cada indivíduo) possui mais adeptos - e como já explica Russell no artigo
supracitado, esse não é um critério que possa ser mantido por qualquer um que
tenha estudado história.
No livro The Demon-Haunted World (O Mundo Assombrado pelos Demônios),
um dos temas tratados pelo gênio estadunidense Carl Sagan é o fenômeno dos UFO (óvnis)
que foi uma febre nos EUA por algumas décadas. Para uma análise completa deste
e outros temas, recomendo a leitura da obra completa. O ponto que me interessa
é o seguinte: os relatos sobre os alienígenas inicialmente diziam que estes
vinham de Marte, e que este planeta já teria cidades e máquinas ultra-avançadas.
Quando cientistas ao redor do mundo desenvolveram equipamentos capazes de sondar este planeta e
mostraram não haver nada disso por lá, os visitantes passaram a ser
venusianos - até observarmos Vênus também, e saber que sua temperatura é alta o suficiente até
para derreter chumbo. Então os visitantes passaram a vir de outros lugares
ainda mais distantes. Tenho forte impressão de que quanto mais longe formos
capazes de observar, ainda um pouco mais de longe terão vindo os óvnis, povoados
por seres obcecados por sigilo, sinais inúteis em plantações e experiências sádicas com seres humanos. A paixão pessoal pela
crença sempre levaria os abduzidos às lacunas restantes.
De modo semelhante, sabemos
que historicamente a crença em deuses surgiu das lacunas do entendimento humano
- para explicar tempestades, épocas de seca, a morte, alucinações, doenças, etc.. E ainda hoje muitos
tentam manter vivo este Deus das Lacunas, que sempre surge como
"única" explicação para fatos "inexplicáveis" - até o
momento em que formos capazes de compreendê-los.
As pessoas geralmente preferem uma explicação, ainda que possivelmente irreal, à manutenção da dúvida. Mas o bom senso nos mostra que o mais saudável sempre tem sido exatamente o contrário. Lacunas não são evidências, são apenas lacunas. Logo, a manutenção da dúvida é o que temos de mais precioso no processo de compreensão honesta da natureza.
As pessoas geralmente preferem uma explicação, ainda que possivelmente irreal, à manutenção da dúvida. Mas o bom senso nos mostra que o mais saudável sempre tem sido exatamente o contrário. Lacunas não são evidências, são apenas lacunas. Logo, a manutenção da dúvida é o que temos de mais precioso no processo de compreensão honesta da natureza.
Conclusão
Não tenho problemas com as
crenças alheias. Qualquer um que leia outros textos deste blog notará isso com clareza. Cada pessoa forma suas próprias visões de mundo a partir de
suas capacidades e características pessoais, e cada uma passará por sua existência
definindo apenas os próprios caminhos. Relaciono-me diariamente, sem nenhuma ressalva, com
pessoas diferentes de mim em todos os aspectos possíveis - afinal, cada pessoa
é "única". E com as crenças não seria diferente, visto serem elas
apenas mais uma destas divergências.
E ainda mais, em muitos
aspectos seria muito cômodo que eu possuísse a capacidade de acreditar
cegamente nas ideias que escolhesse. Traria-me felicidade pensar que um dia me
encontrarei com amados parentes falecidos. Eu teria mais tranquilidade se fosse
capaz de olhar para nosso mundo e pensar que toda a maldade e ódio visíveis terminarão
em amor graças a um Deus. Se eu não fosse ateu, deixaria de passar por constantes
situações de preconceito, e também não teria perdido tantos amigos e colegas.
Mas, diante de todos os
fatos apresentados neste texto e de toda minha experimentação da vida, ficou
claro que não há motivos para acreditar na existência de uma
realidade sobrenatural e de um ser criador de todas as coisas. E julgo a aceitação da realidade como algo mais importante que minhas tranquilidades e
seguranças pessoais. Uma existência mais cômoda não é justificativa para ignorar
a realidade que se apresenta a mim.
De forma resumida, é por
isso que hoje me declaro ateu. Vivo um ateísmo fundamentado na dúvida. Se me trouxerem evidências
convincentes da existência de uma realidade sobrenatural e de um ser criador,
sem nenhum problema de consciência passarei a acreditar nesta existência. Da
mesma forma, se me trouxerem evidências suficientes pra me convencer de que sou
capaz de voar sem equipamentos, sem nenhum problema de consciência passarei a
acreditar. E assim com fadas, fantasmas, reencarnações e bicho-papão.
Mas, enquanto isso não
acontece, eu não acredito em deuses, fadas, sobrenatural, reencarnações, bicho-papão e quaisquer outras afirmações extraordinárias. Não acredito em afirmações
feitas sem evidências suficientes, assim como não acredito em notícias propagadas pela
internet sem substancial fundamentação. Não acredito em testemunhos pessoais sobre
acontecimentos mágicos que apenas favorecem um discurso. Não acredito em
discursos de Amor e acolhimento repletos de ódio e rejeição. Não acredito em seres
de puro Amor contraditoriamente indiferentes e sádicos.
Enfim... eu não acredito.
______________________________________________________________
* O filósofo David Hume, em sua Investigação Acerca do Entendimento Humano, explana sobre esta noção, trazendo à tona a percepção de que nossa interação com o mundo é toda baseada em crenças, que passam a ser tidas como "certezas" por nossas experiências sensoriais e 'ideias complexas', mas que de fato são apenas crenças fortalecidas.
**Citado por Clemente de Alexandria em Tapeçarias:
Mas se mãos tivessem os bois, os cavalos e os leões
E pudessem com as mãos desenhar e criar obras como os homens,
Os cavalos semelhantes aos cavalos, os bois semelhantes aos bois,
Desenhariam as formas dos deuses e os corpos fariam
Tais quais eles próprios têm.

Caralho! Sua vida de certa forma se assemelha à minha, sabia dessa ? XD
ResponderExcluirAo contrário de um amigo meu, também ateu, ele nasceu e como a mãe dele ensinou a religião de forma madura e sem digamos... enfiar na goela dele o cristianismo, ele se viu como ateu desde cedo, e a mãe dele não o impediu ou segregou...
*INVEJA*
Mas de toda forma, eu fui assim também, porém... digamos... de uma forma mais... problemática.
Por pensar como você sobre as várias religiões crendo no mesmo deus porém agindo e pensando de formas tão opostas, me vi desinteressado pelo assunto, uma vez que não tinham provas nem de um ou de outro. Mas eu era cristão. Eu acreditava mesmo que superficialmente.
O povo dizia que uma hora eu seria "chamado", que haveria uma forma de deus me tocar e eu esperei...
Aos 17 anos, por motivos que não quero declarar, tive uma doença psicológica que foi o divisor de águas em minha vida, maldita seja a Síndrome do Pânico, pelos médicos chamada de Transtorno do Pânico...
Eu fui nas religões e nada, tentei por mim mesmo e nada, quando decidi o mais óbvio!
Psicólogo e psiquiatra... tratamentos desse ramo, até que em torno de 1 ano me curei por completo, uma vez que a minha síndrome só me afetava em UM ponto específico da minha adolescência...
Com isso vi que esse "chamado" nada mais é que uma coisa ruim em nossas vidas, que todos temos e o povo insiste pra que a "cura" ou "resolução" do problema seja divina, mesmo sem a menor base argumentativa pra isso, usando a "fé" como desculpa.
Eu não aceitava isso, quando diziam que foi deus que permitiu a cura, eu relutava por achar idiota, eu fui nas igrejas e tentei rezar e o caralho a quatro, e nada mais foi que um disperdício de tempo. Mas as melhores respostas estão nas melhores tentativas de responder as perguntas mesmo...
Com tudo isso, me tornei agnóstico, a minha pouca fé havia sumido e aberto minha mente pra uma possibilidade de não existência. Com isso, eu fui vendo que os poucos artifícios cristãos que me seguravam eram mais medo de inferno e dogmas imbecis que com poucos tempo acabei jogando na estratosfera e minha visão da realidade se abriu por completo, assim me tornando ateu.
Não quero demonstrar superioridade ou arrogância, mas de fato foi o que houve, eu não fiz força pra nada acontecer, eu do agnostico com pouco tempo acabei me tornando ateu justamente por abrir minha mente pra uma tão nunca pensada possibilidade e essa possibilidade me mostrou como as coisas são, como funcionam de fato!
E como diz esse meu amigo ateu: "Impossível entender a realidade como funciona e ainda ser cristão ou vinculado em qualquer religião..."
Pois é... muitos dos melhores filósofos e cientistas eram ateus, e os poucos cristãos buscam provas e etc...
Faz todo sentido de repente.
Fala Juninho! Bom te ver por aqui! xD
ExcluirPois é, depois que expandimos nossa visão para a quantidade imensa de religiões e crenças existentes e vemos a certeza nos olhos de pessoas com morais tão distintas, fica muito difícil continuar optando pela fé em uma destas enquanto visão de mundo.
E essa história do "chamado" já é um clichê. Pra mim, é papo de gente arrogante. Todos que julgam ser donos da verdade pensam que um dia todas as pessoas do mundo seguirão por caminho igual ao deles, como se fosse o único válido. Prefiro pensar que ateísmo não é pra todos, assim como religião, e que cada um trilhará o caminho que sua busca encontrar.
Mas enquanto alguns optam pelo que querem que seja verdade, cá seguimos humildemente tentando compreender esta montanha e nossa pedra.
Abraço e muito obrigado pelo comentário!
De nada cara, curti o blog e a ideia dele mas não tinha parado pra ler, e quando li achei surpreendente o material, achei fantástico!
ExcluirQue bom que gostou! Esses feedbacks me motivam a continuar produzindo.
ExcluirValeu!
Numa banca de mestrado que fui assistir, o mestrando havia feito um trabalho abordando a noção de fé a partir da obra do filósofo dinamarquês Soren Aabie Kierkegaard. O mestrando se disse ateu, mas intrigado com os resultados de sua dissertação. Sua pesquisa foi uma forma de busca por encontrar o que os crentes chamavam de fé. Mas, ele continuava ateu, mesmo que mais aberto ao diálogo acerca do 'objeto' da fé: Deus. Diante disso, um membro da banca, notoriamente cristão, disse: "Não se preocupe em fazer trabalhos acadêmicos para encontrar a fé. Se você buscou e não consegue acreditar, foi Deus que (segundo as falas tradicionais, ama e nos quer junto a Ele) falhou. Deus falhou. Se 'Ele' é o interessado e não conseguiu, quem falhou foi Ele". E assim acabou o parêntesis na banca, e continuaram o trabalho.
ResponderExcluirVocê buscou na fé, e hoje busca, pelos caminhos que foi encontrando, entender (utilizando as palavras de Douglas Adams) "a vida, o universo e tudo mais". Se há um Deus que quer se reconhecido e amado, Ele falhou. Você estava lá. Se ele não existe, seu caminho o mostrou, a partir da sinceridade e perspicácia que lhe é natural.
Isso ae!
Abraço!
Miguel Angelo
Exatamente, Miguel!
ExcluirEm momento algum me esforcei por me desvencilhar da fé ou por deixar de acreditar em algo. Se deixei a fé em algum ponto não foi por querer que Deus não exista, mas exatamente por buscar viver e questionar o que vivo de forma sincera.
Muito obrigado pela visita, pela paciência em ler o texto inteiro e pelo comentário!
Grande abraço!
Sou novo por aqui. Embora eu seja cristão, tenho curiosidade em estudar temas e assuntos que não estão em pauta no meio em que vivo.Sou evangélico desde os 9 anos e meus amigos (98%) são crentes. Encontrei este blog através de um vídeo que vi no blog lanterna verde.
ResponderExcluirEu tenho as minhas opiniões e repeito a de todos. Eu não acredito em contos de fadas, acredito em repeito e dignidade. Talvez nós sejamos superiores aos intolerantes e radicais. Percebo que há pessoas que dedicam tempo em promover conflitos e debates sem propósito.Contudo, há muitos ponderosos e íntegros.
Quero deixar aqui meus parabéns pelo blog e pelo texto. Que cresçamos em conhecimento e em pluralidade, sejamos humildes e aceitemos que nem sempre estamos certos e que é impossível vivermos sozinhos. Abraços aos que leem.
"Em momento algum me esforcei por me desvencilhar da fé ou por deixar de acreditar em algo. Se deixei a fé em algum ponto não foi por querer que Deus não exista, mas exatamente por buscar viver e questionar o que vivo de forma sincera." Sabe aquele momento em uma pessoa descreve exatamente a maneira como você pensa? Pois é... fiquei eufórico até. Como disse John Lennon, você pode achar que sou um "louco", mas não sou o único. E fico muito feliz em saber disto. Parabéns pelo texto e pelo blog. Sucesso!
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