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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Às vezes quem discorda de você realmente é burro


Há duas famosas frases que vejo frequentemente sendo usadas de forma errada ou desonesta:

- Cuidado pra não considerar inteligente só quem concorda com você;

- A verdade primeiro é ridicularizada, depois rejeitada com violência e por último aceita como evidente por si própria (paráfrase de Schopenhauer) - essa é adorada por anti-científicos e teóricos da conspiração.

Há pessoas que discordam de você e que não são inteligentes. Há pessoas ignorantes. Ignorantes em sua postura em relação à discussão de ideias ou então apenas ignorantes em relação ao assunto do qual estão tentando falar - ou ambas as coisas.

Achar que qualquer discordância tem seu valor

terça-feira, 7 de abril de 2015

"Almoçando Com Um Padre" ou "Quando Ideias Merecem Respeito"


Compartilho aqui com vocês de minha experiência de Páscoa.

Fui à casa de meus pais no feriado prolongado. Em nosso almoço esteve presente um padre, amigo da família, convidado por meus pais.

Antes da refeição, o padre conduziu uma oração. Sabendo a família e o padre que ao menos duas pessoas ali presentes abertamente não compartilham da mesma crença – uma delas, eu –, não houve nenhuma menção ao fato. Nenhuma tentativa de confronto, nenhuma palavra de ordem, nenhuma condenação aos possuidores de ideias divergentes.

Apenas uma bonita oração sobre o amor, a importância de, em outros momentos de nossas vidas, nos lembrarmos de solidarizar com aqueles que não possuem alimento e o desejo de um mundo melhor. Intenções nas quais eu posso discordar em alguns pontos do modus operandi, mas que compartilho do desejo e dos objetivos. Nas palavras usadas para transmitir essas intenções, falou-se de Jesus e outros elementos da crença católica, mas qualquer um que escute com um pouco mais que apenas os ouvidos saberia entender o significado das preces.

Ao fim da breve oração, os que acreditam rezaram juntos um Pai Nosso, os que não

sábado, 4 de maio de 2013

Existe um Deus?


Esclarecimentos Prévios

Neste texto explico o desenvolvimento de minha visão a respeito da existência ou não de um ou mais deuses e de uma realidade sobrenatural, utilizando minha passagem do cristianismo ao ateísmo como fio condutor. Não tenho aqui como intenção dizer qual é a melhor ou mais correta crença. Minha intenção é somente explicitar minha visão e expor alguns dos argumentos que me levam a pensar como penso, sem nomear minhas ideias como superiores ou as divergentes delas como inferiores.

Durante o texto, ao usar o termo "sobrenatural" ou "extranatural", refiro-me a supostas realidades não-sujeitas às leis da física, em constante e direta interação com nossa realidade natural, e não a realidades fisicamente distantes da nossa.

Introdução

Para aqueles que algum dia me perguntaram o motivo de eu ter me tornado ateu, acredito ser este texto bastante esclarecedor. Hoje pretendo falar um pouco sobre as mudanças que experimentei nos últimos anos em relação à crença religiosa. Uma pequena reflexão, inspirada em um artigo do filósofo inglês Bertrand Russel.

Há alguns anos, eu participava ativamente da Igreja Católica. Não significa apenas que eu ia à missa toda semana; significa que tive uma intensa vida de oração, estudava a bíblia, pregava em encontros, tocava violão em celebrações e retiros, fui ministro da comunhão eucarística, cheguei a fazer encontros vocacionais e quase optei pela vida conventual. Tive a "experiência de Deus" da

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Pensadores e Repetidores


Para um professor, deveria ser prioritário repassar conhecimento adquirido ou levantar dúvidas? Se cumprisse apenas um dos dois papéis, qual seria mais relevante?

Observando livros e salas de aula, veremos a primeira tarefa, em geral, receber maior atenção e dedicação por parte daqueles que possuem prática e/ou estudo a respeito de algum assunto. Sem mencionar os casos onde essa é a única preocupação daquele que ensina.

Fazer demonstrações! Ensinar fórmulas e mostrar de onde vieram! Relembrar fatos e mostrar agravantes! Calcular fusos, falar de forças, ensinar as regras gramaticais e suas origens, repassar partituras, aprender técnicas de pintura, blablabla!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A ciência é completa?



Muitas vezes me perguntei e fui indagado sobre a real capacidade da ciência. Seria ela um conhecimento imutável? Seria um conhecimento incorreto, porém, produtor de resultados práticos? Seria mera abstração humana a partir de situações empíricas?

Pra que estas perguntas sejam mais compreensíveis, observemos algumas mudanças em teorias científicas ao longo da história.

Em primeiro lugar, a quem me refiro quando falo em Ciência?

Não me refiro à deusa adorada por muitas pessoas em nossa sociedade atual. Muitos consideram a ciência como um Ente possuidor de todas as explicações para todas as situações, apto a resolver inclusive questões morais e filosóficas. Bem, não sou um destes.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Relações vs. Mudanças


As relações cotidianas sempre me despertaram interesse e curiosidade – além de uma grande dificuldade. 

Esse interesse cresceu ainda mais depois de começar o processo de "saída" (abandono) da religião católica. Todo pensante pensa a partir de si, e até por isso é inevitável me despertarem maior interesse assuntos que me toquem de forma direta.

Durante o período em que vivi a religião católica, vivi com dedicação e interesse genuínos. Busquei compreender a visão de mundo pregada pela igreja – visto esta ser, enquanto fui religioso, a principal função da religião em minha vida. Participei de grupos com os quais me identificava e pelos quais me interessava, e nestes grupos fiz inúmeras amizades.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Debates, Embates e Verdades



A mudança do gosto geral tem muito mais importância que a das opiniões. As opiniões, com suas provas, refutações, e toda a mascarada intelectual que as acompanha, são apenas os sintomas de uma mudança do gosto, e não, certamente que não, aquilo porque são ainda geralmente consideradas: as causas dessa mudança do gosto. (NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência, §39)


Houve um tempo em que eu me preocupava em passar minha opinião adiante. Não apenas em expor o que pensava, mas em me certificar de que outras pessoas estavam escutando e tentando compreender o que eu pensava.

Não sei por que fazia isso, só sei que fazia.

Talvez quisesse colonizar o outro. Pensava ser muito crítico, e acreditava que sempre tinha uma opinião sólida e bem formada a respeito de qualquer assunto que eu me dispusesse a formar uma opinião. A partir daí, por acreditar que tinha uma opinião boa e bem formulada, achava que deveria presentear a todos com meus bem fundamentados pontos de vista.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Sísifo e o Absurdo


“Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à pergunta fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, vem depois. Trata-se de jogos; é preciso primeiro responder.” (CAMUS, Albert. Um raciocínio absurdo. in: O Mito de Sísifo)

O absurdo. O tema central da obra “O Mito de Sísifo”, de Camus, é o absurdo. E em quê consiste esse absurdo tratado pelo autor?

Pra que se assimile e se aproxime da ideia que esse gênio francês quis transmitir por “absurdo”, o máximo que posso fazer é recomendar a leitura do livro completo, e depois também do livro “O Estrangeiro”, onde ele traça um romance que figura como uma obra de arte representativa dessa ideia.