sábado, 7 de novembro de 2015

Quando Janelas se Tornam Muros: o Pluralismo que Segrega ao Invés de Acrescentar


Em um lugar onde as coisas funcionam de uma maneira lógica, pessoas com fortes convicções de esquerda tentariam me trazer para a esquerda, e pessoas com fortes convicções de direita tentariam me trazer para a direita. Ativistas de alguma causa se esforçariam por modificar a cultura da sociedade a seu favor, e conservadores se esforçariam pela manutenção do que já está estabelecido. O mesmo para religiões e outras ideologias.

Mas tá sendo assim: só não sou de esquerda porque conheço os esquerdistas, não sou de direita porque conheço os direitistas; os ativistas me dão vontade de chutar suas causas pra longe, mas os conservadores são tão merda, mas tão merda, que o esforço contrário ainda vale a pena. Cada pessoa me faz querer o máximo possível de distância de suas ideologias e religiões.

Por um lado é bom porque, se fossem muito sutis, eu talvez fosse levado por essas ideologias sem perceber, sendo cozinhado em água morna. Por outro lado é terrível, porque,

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Às vezes quem discorda de você realmente é burro


Há duas famosas frases que vejo frequentemente sendo usadas de forma errada ou desonesta:

- Cuidado pra não considerar inteligente só quem concorda com você;

- A verdade primeiro é ridicularizada, depois rejeitada com violência e por último aceita como evidente por si própria (paráfrase de Schopenhauer) - essa é adorada por anti-científicos e teóricos da conspiração.

Há pessoas que discordam de você e que não são inteligentes. Há pessoas ignorantes. Ignorantes em sua postura em relação à discussão de ideias ou então apenas ignorantes em relação ao assunto do qual estão tentando falar - ou ambas as coisas.

Achar que qualquer discordância tem seu valor

terça-feira, 7 de abril de 2015

"Almoçando Com Um Padre" ou "Quando Ideias Merecem Respeito"


Compartilho aqui com vocês de minha experiência de Páscoa.

Fui à casa de meus pais no feriado prolongado. Em nosso almoço esteve presente um padre, amigo da família, convidado por meus pais.

Antes da refeição, o padre conduziu uma oração. Sabendo a família e o padre que ao menos duas pessoas ali presentes abertamente não compartilham da mesma crença – uma delas, eu –, não houve nenhuma menção ao fato. Nenhuma tentativa de confronto, nenhuma palavra de ordem, nenhuma condenação aos possuidores de ideias divergentes.

Apenas uma bonita oração sobre o amor, a importância de, em outros momentos de nossas vidas, nos lembrarmos de solidarizar com aqueles que não possuem alimento e o desejo de um mundo melhor. Intenções nas quais eu posso discordar em alguns pontos do modus operandi, mas que compartilho do desejo e dos objetivos. Nas palavras usadas para transmitir essas intenções, falou-se de Jesus e outros elementos da crença católica, mas qualquer um que escute com um pouco mais que apenas os ouvidos saberia entender o significado das preces.

Ao fim da breve oração, os que acreditam rezaram juntos um Pai Nosso, os que não

domingo, 19 de janeiro de 2014

O Imediatismo Nosso de Cada Dia (e o "Rolezinho")


Odeio o imediatismo da nossa época. Em qualquer aspecto. Sou completamente deslocado socialmente neste sentido. Não me dou bem com a regra social de atender telefone ou celular sempre que eles tocam, de responder mensagens no exato momento do recebimento, de dar uma resposta pontual rápida a toda pergunta feita a mim, de ter que me posicionar a respeito de toda notícia no exato instante de seu acontecimento... entre outras mil coisas.

Nossa era da informação traz em si a marcante característica da rapidez dos meios de comunicação. Não precisamos esperar o jornal impresso do dia seguinte para saber o que está acontecendo ao redor do país. Não precisamos esperar dias para saber de acontecimentos internacionais. Fatos são facilmente noticiados minutos após sua ocorrência.

Aliás, atualmente, fatos são noticiados mesmo antes de ocorrerem. Quem nunca leu um "partiu academia" numa rede social, ou uma foto da refeição ainda a ser feita? Podem ser fatos irrelevantes para a maioria das pessoas - como são, para mim, a maioria

sábado, 11 de janeiro de 2014

O Paradoxo da Sinceridade Vitimista


Não é mistério, para aqueles que me acompanham neste blog ou através de outro meio, o fato de eu me intrigar e refletir pormenorizadamente sobre os aspectos mais corriqueiros dos relacionamentos sociais. Este é mais um curto texto sobre isso.

Há alguns anos eu observo um fenômeno que considero um "ponto cego" de boa parte das pessoas com quem já convivi ou tive algum tipo de contato prolongado. Quando digo "ponto cego" refiro-me a características que temos e não percebemos - e muitas vezes nos incomodamos ao percebê-las nos outros.

Uma das modas de nossa época é a encenação de um culto à sinceridade irresponsável. Bem, socialmente usamos a palavra "espontaneidade", mas creio que sinceridade irresponsável é uma descrição mais precisa da postura prática à qual nos referimos.

Faço questão de dizer "encenação" porque na prática não é uma verdadeira admiração pela postura de sinceridade. Digo