sábado, 11 de janeiro de 2014

O Paradoxo da Sinceridade Vitimista


Não é mistério, para aqueles que me acompanham neste blog ou através de outro meio, o fato de eu me intrigar e refletir pormenorizadamente sobre os aspectos mais corriqueiros dos relacionamentos sociais. Este é mais um curto texto sobre isso.

Há alguns anos eu observo um fenômeno que considero um "ponto cego" de boa parte das pessoas com quem já convivi ou tive algum tipo de contato prolongado. Quando digo "ponto cego" refiro-me a características que temos e não percebemos - e muitas vezes nos incomodamos ao percebê-las nos outros.

Uma das modas de nossa época é a encenação de um culto à sinceridade irresponsável. Bem, socialmente usamos a palavra "espontaneidade", mas creio que sinceridade irresponsável é uma descrição mais precisa da postura prática à qual nos referimos.

Faço questão de dizer "encenação" porque na prática não é uma verdadeira admiração pela postura de sinceridade. Digo

sexta-feira, 24 de maio de 2013

NÃO Respeite Minhas Ideias


Nestas últimas semanas, tive muitas oportunidades de sentar-me à mesa com amigos - antigos e novos - e conhecidos para beber, comer e, principalmente, conversar.

Destes amigos, todos, sem nenhuma exceção, possuem visão de mundo completamente divergente da minha. No máximo temos uma ou outra opinião parecida, mas discordamos praticamente em tudo.

E após cada uma destas conversas, sejam aquelas onde nos encontramos apenas eu e a pessoa, seja nas que reunimos apenas um pequeno grupo, minha sensação era a de ter visitado novos mundos. Minha percepção clara durante essas experiências é que as divergências me enriquecem.

Não pertenço ao grupo do "pode ser diferente contanto que respeite o que eu penso". Não, eu gosto é exatamente do diferente que não respeita o que penso. Me respeita, não deduz todo o meu caráter apenas por minhas ideias ou por uma situação

sábado, 4 de maio de 2013

Existe um Deus?


Esclarecimentos Prévios

Neste texto explico o desenvolvimento de minha visão a respeito da existência ou não de um ou mais deuses e de uma realidade sobrenatural, utilizando minha passagem do cristianismo ao ateísmo como fio condutor. Não tenho aqui como intenção dizer qual é a melhor ou mais correta crença. Minha intenção é somente explicitar minha visão e expor alguns dos argumentos que me levam a pensar como penso, sem nomear minhas ideias como superiores ou as divergentes delas como inferiores.

Durante o texto, ao usar o termo "sobrenatural" ou "extranatural", refiro-me a supostas realidades não-sujeitas às leis da física, em constante e direta interação com nossa realidade natural, e não a realidades fisicamente distantes da nossa.

Introdução

Para aqueles que algum dia me perguntaram o motivo de eu ter me tornado ateu, acredito ser este texto bastante esclarecedor. Hoje pretendo falar um pouco sobre as mudanças que experimentei nos últimos anos em relação à crença religiosa. Uma pequena reflexão, inspirada em um artigo do filósofo inglês Bertrand Russel.

Há alguns anos, eu participava ativamente da Igreja Católica. Não significa apenas que eu ia à missa toda semana; significa que tive uma intensa vida de oração, estudava a bíblia, pregava em encontros, tocava violão em celebrações e retiros, fui ministro da comunhão eucarística, cheguei a fazer encontros vocacionais e quase optei pela vida conventual. Tive a "experiência de Deus" da

sábado, 30 de março de 2013

O Papa e o Pastor


Há algum tempo o mundo presenciou a histórica renúncia de um papa. Um evento que, independente de religião ou crença, foi destaque em jornais por todo o mundo e assunto cotidiano, devido à importância não apenas religiosa do fato, mas também política.

Pouco tempo depois, temos a eleição de um papa argentino, e a escolha do nome Francisco - nome no mínimo sugestivo, pra quem conhece um pouco da fascinante história do "poverello d'Assissi".

E até então eu não havia tecido por aqui, nem em nenhuma rede social ou site, comentário algum sobre o fato. Mas hoje tive vontade. Este texto seria inicialmente uma postagem no facebook, mas, como sempre acontece comigo, fui escrevendo e escrevendo e escrevendo e em algum ponto o tamanho do texto me deu a certeza de que ninguém o leria. Decidi então escrever e escrever e escrever um pouco mais e postá-lo aqui.

Pois bem. Em uma data próxima aos eventos ocorridos no Vaticano, uma série de eventos aqui no Brasil também ganhou destaque. E foi a ontologia entre as posturas de um líder de lá e um daqui que

quarta-feira, 27 de março de 2013

"Jovem gênio"


Lendo hoje as notícias sobre o "jovem gênio" que vendeu um aplicativo ao Yahoo por milhões de dólares, não tive como não associar ao artigo da Eliane Brum sobre Aaron Swartz.

"Mas há algo que pode ter soado ainda mais imperdoável: Aaron não queria ganhar dinheiro com o seu talento. Ele não era aquilo que as crianças são ensinadas a admirar: um jovem gênio milionário da internet, como Mark Zuckerberg, o criador do Facebook. Aaron Swartz era um jovem gênio que não queria ser milionário. E, convenhamos, nada pode ser mais subversivo do que isso."
(Leia o artigo completo, vale muito a leitura)

Genial não é o cara que distribui ao mundo informações escondidas dos cidadãos pelos governantes, não é quem luta pela emancipação e conscientização do povo, não é quem repensa o mundo ou busca construir uma sociedade melhor, ou luta pra que diferentes convivam com igual dignidade; genial é saber fazer dinheiro. Prodígio é quem gera lucro (e não importa como).

Essa mentalidade é fruto de livre opção ou de manipulação midiática, política e econômica? Ou seria um pouco de cada uma? Sinceramente não sei.

Sei é de minha opção pessoal: não me conformar a essa mentalidade à qual as pessoas são treinadas desde cedo. Não me sinto à vontade com a ideia de que devemos viver e construir nossas visões de mundo tendo como um dos principais fundamentos (e objetivos) o acúmulo de dinheiro.

E em meio a tantos paradigmas desconfortáveis, nomeações políticas absurdas (Marco Feliciano, Blairo Maggi, José Genoino), jornais superficiais e mentalidades rasas, creio só me restar minha pedra. E a cada dia isso me parece mais evidente, tanto em minha vida pessoal quanto no que consigo acompanhar diariamente sobre a humanidade.

Me perdoem pelo texto curto e sem aprofundamento, mas quis compartilhar esse pequeno desabafo. Felizmente me acompanha a ideia de ser a existência no mundo um absurdo - ideia que é a motivação central deste blog. Se eu acreditasse que existe um sentido objetivo para a vida, creio que já teria desistido dela.