domingo, 19 de janeiro de 2014

O Imediatismo Nosso de Cada Dia (e o "Rolezinho")


Odeio o imediatismo da nossa época. Em qualquer aspecto. Sou completamente deslocado socialmente neste sentido. Não me dou bem com a regra social de atender telefone ou celular sempre que eles tocam, de responder mensagens no exato momento do recebimento, de dar uma resposta pontual rápida a toda pergunta feita a mim, de ter que me posicionar a respeito de toda notícia no exato instante de seu acontecimento... entre outras mil coisas.

Nossa era da informação traz em si a marcante característica da rapidez dos meios de comunicação. Não precisamos esperar o jornal impresso do dia seguinte para saber o que está acontecendo ao redor do país. Não precisamos esperar dias para saber de acontecimentos internacionais. Fatos são facilmente noticiados minutos após sua ocorrência.

Aliás, atualmente, fatos são noticiados mesmo antes de ocorrerem. Quem nunca leu um "partiu academia" numa rede social, ou uma foto da refeição ainda a ser feita? Podem ser fatos irrelevantes para a maioria das pessoas - como são, para mim, a maioria

sábado, 11 de janeiro de 2014

O Paradoxo da Sinceridade Vitimista


Não é mistério, para aqueles que me acompanham neste blog ou através de outro meio, o fato de eu me intrigar e refletir pormenorizadamente sobre os aspectos mais corriqueiros dos relacionamentos sociais. Este é mais um curto texto sobre isso.

Há alguns anos eu observo um fenômeno que considero um "ponto cego" de boa parte das pessoas com quem já convivi ou tive algum tipo de contato prolongado. Quando digo "ponto cego" refiro-me a características que temos e não percebemos - e muitas vezes nos incomodamos ao percebê-las nos outros.

Uma das modas de nossa época é a encenação de um culto à sinceridade irresponsável. Bem, socialmente usamos a palavra "espontaneidade", mas creio que sinceridade irresponsável é uma descrição mais precisa da postura prática à qual nos referimos.

Faço questão de dizer "encenação" porque na prática não é uma verdadeira admiração pela postura de sinceridade. Digo

sexta-feira, 24 de maio de 2013

NÃO Respeite Minhas Ideias


Nestas últimas semanas, tive muitas oportunidades de sentar-me à mesa com amigos - antigos e novos - e conhecidos para beber, comer e, principalmente, conversar.

Destes amigos, todos, sem nenhuma exceção, possuem visão de mundo completamente divergente da minha. No máximo temos uma ou outra opinião parecida, mas discordamos praticamente em tudo.

E após cada uma destas conversas, sejam aquelas onde nos encontramos apenas eu e a pessoa, seja nas que reunimos apenas um pequeno grupo, minha sensação era a de ter visitado novos mundos. Minha percepção clara durante essas experiências é que as divergências me enriquecem.

Não pertenço ao grupo do "pode ser diferente contanto que respeite o que eu penso". Não, eu gosto é exatamente do diferente que não respeita o que penso. Me respeita, não deduz todo o meu caráter apenas por minhas ideias ou por uma situação

sábado, 4 de maio de 2013

Existe um Deus?


Esclarecimentos Prévios

Neste texto explico o desenvolvimento de minha visão a respeito da existência ou não de um ou mais deuses e de uma realidade sobrenatural, utilizando minha passagem do cristianismo ao ateísmo como fio condutor. Não tenho aqui como intenção dizer qual é a melhor ou mais correta crença. Minha intenção é somente explicitar minha visão e expor alguns dos argumentos que me levam a pensar como penso, sem nomear minhas ideias como superiores ou as divergentes delas como inferiores.

Durante o texto, ao usar o termo "sobrenatural" ou "extranatural", refiro-me a supostas realidades não-sujeitas às leis da física, em constante e direta interação com nossa realidade natural, e não a realidades fisicamente distantes da nossa.

Introdução

Para aqueles que algum dia me perguntaram o motivo de eu ter me tornado ateu, acredito ser este texto bastante esclarecedor. Hoje pretendo falar um pouco sobre as mudanças que experimentei nos últimos anos em relação à crença religiosa. Uma pequena reflexão, inspirada em um artigo do filósofo inglês Bertrand Russel.

Há alguns anos, eu participava ativamente da Igreja Católica. Não significa apenas que eu ia à missa toda semana; significa que tive uma intensa vida de oração, estudava a bíblia, pregava em encontros, tocava violão em celebrações e retiros, fui ministro da comunhão eucarística, cheguei a fazer encontros vocacionais e quase optei pela vida conventual. Tive a "experiência de Deus" da

sábado, 30 de março de 2013

O Papa e o Pastor


Há algum tempo o mundo presenciou a histórica renúncia de um papa. Um evento que, independente de religião ou crença, foi destaque em jornais por todo o mundo e assunto cotidiano, devido à importância não apenas religiosa do fato, mas também política.

Pouco tempo depois, temos a eleição de um papa argentino, e a escolha do nome Francisco - nome no mínimo sugestivo, pra quem conhece um pouco da fascinante história do "poverello d'Assissi".

E até então eu não havia tecido por aqui, nem em nenhuma rede social ou site, comentário algum sobre o fato. Mas hoje tive vontade. Este texto seria inicialmente uma postagem no facebook, mas, como sempre acontece comigo, fui escrevendo e escrevendo e escrevendo e em algum ponto o tamanho do texto me deu a certeza de que ninguém o leria. Decidi então escrever e escrever e escrever um pouco mais e postá-lo aqui.

Pois bem. Em uma data próxima aos eventos ocorridos no Vaticano, uma série de eventos aqui no Brasil também ganhou destaque. E foi a ontologia entre as posturas de um líder de lá e um daqui que