terça-feira, 7 de abril de 2015

"Almoçando Com Um Padre" ou "Quando Ideias Merecem Respeito"


Compartilho aqui com vocês de minha experiência de Páscoa.

Fui à casa de meus pais no feriado prolongado. Em nosso almoço esteve presente um padre, amigo da família, convidado por meus pais.

Antes da refeição, o padre conduziu uma oração. Sabendo a família e o padre que ao menos duas pessoas ali presentes abertamente não compartilham da mesma crença – uma delas, eu –, não houve nenhuma menção ao fato. Nenhuma tentativa de confronto, nenhuma palavra de ordem, nenhuma condenação aos possuidores de ideias divergentes.

Apenas uma bonita oração sobre o amor, a importância de, em outros momentos de nossas vidas, nos lembrarmos de solidarizar com aqueles que não possuem alimento e o desejo de um mundo melhor. Intenções nas quais eu posso discordar em alguns pontos do modus operandi, mas que compartilho do desejo e dos objetivos. Nas palavras usadas para transmitir essas intenções, falou-se de Jesus e outros elementos da crença católica, mas qualquer um que escute com um pouco mais que apenas os ouvidos saberia entender o significado das preces.

Ao fim da breve oração, os que acreditam rezaram juntos um Pai Nosso, os que não

domingo, 19 de janeiro de 2014

O Imediatismo Nosso de Cada Dia (e o "Rolezinho")


Odeio o imediatismo da nossa época. Em qualquer aspecto. Sou completamente deslocado socialmente neste sentido. Não me dou bem com a regra social de atender telefone ou celular sempre que eles tocam, de responder mensagens no exato momento do recebimento, de dar uma resposta pontual rápida a toda pergunta feita a mim, de ter que me posicionar a respeito de toda notícia no exato instante de seu acontecimento... entre outras mil coisas.

Nossa era da informação traz em si a marcante característica da rapidez dos meios de comunicação. Não precisamos esperar o jornal impresso do dia seguinte para saber o que está acontecendo ao redor do país. Não precisamos esperar dias para saber de acontecimentos internacionais. Fatos são facilmente noticiados minutos após sua ocorrência.

Aliás, atualmente, fatos são noticiados mesmo antes de ocorrerem. Quem nunca leu um "partiu academia" numa rede social, ou uma foto da refeição ainda a ser feita? Podem ser fatos irrelevantes para a maioria das pessoas - como são, para mim, a maioria

sábado, 11 de janeiro de 2014

O Paradoxo da Sinceridade Vitimista


Não é mistério, para aqueles que me acompanham neste blog ou através de outro meio, o fato de eu me intrigar e refletir pormenorizadamente sobre os aspectos mais corriqueiros dos relacionamentos sociais. Este é mais um curto texto sobre isso.

Há alguns anos eu observo um fenômeno que considero um "ponto cego" de boa parte das pessoas com quem já convivi ou tive algum tipo de contato prolongado. Quando digo "ponto cego" refiro-me a características que temos e não percebemos - e muitas vezes nos incomodamos ao percebê-las nos outros.

Uma das modas de nossa época é a encenação de um culto à sinceridade irresponsável. Bem, socialmente usamos a palavra "espontaneidade", mas creio que sinceridade irresponsável é uma descrição mais precisa da postura prática à qual nos referimos.

Faço questão de dizer "encenação" porque na prática não é uma verdadeira admiração pela postura de sinceridade. Digo

sexta-feira, 24 de maio de 2013

NÃO Respeite Minhas Ideias


Nestas últimas semanas, tive muitas oportunidades de sentar-me à mesa com amigos - antigos e novos - e conhecidos para beber, comer e, principalmente, conversar.

Destes amigos, todos, sem nenhuma exceção, possuem visão de mundo completamente divergente da minha. No máximo temos uma ou outra opinião parecida, mas discordamos praticamente em tudo.

E após cada uma destas conversas, sejam aquelas onde nos encontramos apenas eu e a pessoa, seja nas que reunimos apenas um pequeno grupo, minha sensação era a de ter visitado novos mundos. Minha percepção clara durante essas experiências é que as divergências me enriquecem.

Não pertenço ao grupo do "pode ser diferente contanto que respeite o que eu penso". Não, eu gosto é exatamente do diferente que não respeita o que penso. Me respeita, não deduz todo o meu caráter apenas por minhas ideias ou por uma situação

sábado, 4 de maio de 2013

Existe um Deus?


Esclarecimentos Prévios

Neste texto explico o desenvolvimento de minha visão a respeito da existência ou não de um ou mais deuses e de uma realidade sobrenatural, utilizando minha passagem do cristianismo ao ateísmo como fio condutor. Não tenho aqui como intenção dizer qual é a melhor ou mais correta crença. Minha intenção é somente explicitar minha visão e expor alguns dos argumentos que me levam a pensar como penso, sem nomear minhas ideias como superiores ou as divergentes delas como inferiores.

Durante o texto, ao usar o termo "sobrenatural" ou "extranatural", refiro-me a supostas realidades não-sujeitas às leis da física, em constante e direta interação com nossa realidade natural, e não a realidades fisicamente distantes da nossa.

Introdução

Para aqueles que algum dia me perguntaram o motivo de eu ter me tornado ateu, acredito ser este texto bastante esclarecedor. Hoje pretendo falar um pouco sobre as mudanças que experimentei nos últimos anos em relação à crença religiosa. Uma pequena reflexão, inspirada em um artigo do filósofo inglês Bertrand Russel.

Há alguns anos, eu participava ativamente da Igreja Católica. Não significa apenas que eu ia à missa toda semana; significa que tive uma intensa vida de oração, estudava a bíblia, pregava em encontros, tocava violão em celebrações e retiros, fui ministro da comunhão eucarística, cheguei a fazer encontros vocacionais e quase optei pela vida conventual. Tive a "experiência de Deus" da